Opiniões

Headhunter para técnico da seleção

Nosso leitor está muito acostumado aos nossos comentários econômicos e assim, talvez, estranhe que estejamos hoje aqui para falar de futebol. Mas muito se engana quem acha que futebol não seja um tema econômico, a começar pelas contratações vultosas dos times brasileiros e internacionais, muitas vezes envolvendo moedas estrangeiras, além dos novos perfis dos clubes, com a entrada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAF), além das cada vez mais relevantes competições internacionais de clubes, e a já consagrada Copa do Mundo, cuja transmissão televisiva é assunto também de centenas de milhões de reais.

Todos aqui se lembram do enorme investimento quando o Brasil sediou a Copa do Mundo em 2014, com a polêmica construção e reconstrução de estádios, muitos dos quais hoje viraram elefantes brancos, ainda com as diversas implicações a respeito de sobre preços e escândalos financeiros, mas não vamos tratar disto, nesse momento estamos com uma questão que toma conta dos corações e mentes nacionais que é o fracasso enorme do resultado do jogo do Brasil com a Argentina que é o nosso maior competidor e que move não só paixões mas os brios nacionais.

Para contentamento dos hermanos argentinos, o Brasil fez uma posição tão vergonhosa de numa derrota de 4 a 1, que é impossível não disparar o gatilho da triste lembrança dos 7 a 1, que sofremos em casa, no Mineirão, para a Alemanha, na semifinal da Copa de 2014, dos quais até hoje não estamos recuperados. Uma seleção apática em campo, descompromissada, mal treinada, sem vontade de vencer. Assim, um tema que está presente na ordem do dia é justamente a escolha do novo técnico da seleção brasileira, que esperamos que não nos faça passar vergonhas.

Se fôssemos contratados como headhunter, quais seriam as características principais para um novo técnico da seleção brasileira? (1) ter jogado futebol, (2) ser torcedor fanático de um dos grandes times brasileiros, (3) ter participado de grandes decisões no Brasil e no exterior, (4) ter trânsito internacional e aprovação unânime (ou quase) da mídia, (5) mostrar uma liderança importante, combinando conhecimento técnico e uma paixão inabalável e (6) não ter planos futuros na área de futebol, assim exercerá sua função sem pensar em promoções, trabalhando somente pelo presente e pelo melhor resultado.

Ainda há tempo de conquistarmos uma colocação que nos garanta participar da próxima Copa, seja pelo mérito esportivo seja pelo mérito político, pois será um grande desastre se pela primeira vez na história deste país o Brasil não participar de uma Copa do Mundo. Tal prognóstico terá as sérias consequências internas no sentido do ânimo popular, estímulo ao consumo e incentivo ao trabalho; acreditar no futebol brasileiro é a forma de acordar todo dia de manhã, pegar o transporte lotado, trabalhar com afinco e criatividade e promover a melhora da produtividade que tanto nos faz falta, assim convocamos a todos a apoiar nossa indicação para novo técnico da seleção Brasileira, enquanto é tempo de salvação.

O leitor, portanto, já está chegando automaticamente na melhor conclusão deste nosso raciocínio: quem preenche todas estas qualidades como candidato a novo treinador da seleção Brasileira de futebol é Lula da Silva.